quarta-feira, 2 de setembro de 2015

CARREGAS EM TI TODO O OUTONO DO MUNDO


Sei dos candeeiros que te incendeiam a noite por dentro.
Sei dos mares que te pintam os cabelos
De finíssimo azul.
Sei do céu que se veste sorridente
Colorindo-se de ti.

Sei não existir folha no passeio
Que não seja caminho
De mim para ti.

Todas as cores do céu,
São todas as cores em que te vejo.

Todas as cores do céu,
São todas as cores em que te sinto.

3 comentários:

Loba Azul disse...

A PAZ

Se eu te pedisse a paz, o que me darias
pequeno insecto da memória de quem sou
ninho e alimento? Se eu te pedisse a paz,
a pedra do silêncio cobrindo-me de pó,
a voz limpa dos frutos, o que me darias
respiração pausada de outro corpo
sob o meu corpo?
Perdoa-me ser tão só, e falar-te ainda
do meu exílio. Perdoa-me se não te peço
a paz. Apenas pergunto: o que me darias
em troca se ta pedisse? O sol? A sabedoria?
Um cavalo de olhos verdes? Um campo de batalha
para nele gravar o teu nome junto ao meu?
Ou apenas uma faca de fogo, intranquila,
no centro do coração?
Nada te peço, nada. Visito, simplesmente,
o teu corpo de cinza. Falo de mim,
entrego-te o meu destino. E a morte vivo
só de perguntar-te: o que me darias
se te pedisses a paz
e soubesses de como a quero construída
com as matérias vivas da liberdade?

(Casimiro de Brito)

Mary disse...

Lindo demais!

Anônimo disse...

Maravilhoso!!!


Paula