terça-feira, 1 de maio de 2012

Melhor é não Sonhar


Mediante a

algum encantamento que se extingue,

os sonhos se desvanecem.

Não é por dolo do sonhar este desvanecer,

e sim, pela indigência de não mais

alimentar-se de ilusão.

Sim...

Os sonhos envelhecem e se dissolvem

ressequidos e claudicantes

na ampulheta voraz da expectativa desfeita

e da esperança perdida!


__Melhor é não sonhar...


Um comentário:

Los Labios disse...

Poema VI (Pablo Neruda)

Te recordo como eras no último outono.
Eras a boina cinza e o coração em calma.
Em teus olhos pelejavam as chamas do crepúsculo.
E as folhas caiam na água de tua alma.

Apegada a meus braços como uma trepadeira,
as folhas recolhiam tua voz lenta e em calma.
Figueira de estupor em que minha sede ardia.
Doce jacinto azul torcido sobre minha alma.

Sinto viajar teus olhos e é distante o outono:
boina cinza, voz de pássaro e coração de casa
fazia onde emigravam meus profundos anseios
e caiam meus beijos alegres como brasas.

Céu desde um navio. Campo desde os cerros.
Tua recordação é de luz, de fumaça, de tanque em calma!
Mais além de teus olhos ardiam os crepúsculos.
Folhas secas de outono giravam em tua alma.