sábado, 2 de junho de 2018

Ruptura


Empresta-me o vento
que sopra em tua janela virada a sul.

Ou a norte. Escolhe tu....

Enche-o das tardes inacabadas, as mesmas
que passas em seu avarandado, quando se deixas
mergulhar no azul turquesa de todas as distâncias

Empresta-me tuas tardes divagantes
Tardes de quando ainda lembravas-te de nós

antes de secarem teus olhos de mim...

sábado, 28 de abril de 2018

A Ponte


Eu queria estar com ela

Curando suas tristezas
Acariciando-lhe a intangibilidade
No mistério da vida ser pedra

Aliviá-la por aliviá-la ...

Por um tempo estar com ela,

Suprimindo o peso de sua inconsistência
Para que ela descanse em sua integridade
Sustentando suas visões e reveses 

sem cair da ponte onde converge o rio
de sua fragilidade 


quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A anarquia da beleza


A anarquia da beleza

Desdobrando lentamente

Pontos altos farpados

Dentro e fora dos limites equidistantes

Infinitos vívidos, agora imperturbáveis

Para muito além do horizonte

Questionável


Sucessão

Passado presente Futuro

Vistas deslumbrantes de uma saudade

Que eu nem sei se sinto

A Terra renova

Labirinto de vertentes imorredouras

A idade gelada segue os incêndios

Metamorfose


Lua voando solta

Fora de sua órbita obsidiana

Espiral concupiscente espumante do ego

Malha, rede, peixes alizarin surreais

Fragmentos de contentamento para remeter

Dentro de um céu estrelado de cometas

E papoilas intumescidas


Existe expectativa paralela

Amor-tecidas no meu coração

Enquanto eu vago ébria

Lúcida, livre e solitária

No deserto azul melancólico

Respirando ondulante o fulgor buliçoso

Destas paradisíacas águas

Primordiais

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Gravidade


Passo o dia numa espécie de transe
Literário e fonético
A gravidade de Newton estende os
Ramos até às palavras
Sobressalto de algas ainda úmidas
De significado que transcende
O cansaço dos meus olhos
A vertigem imersa nas veias
A vastidão hipotética de um verso
Preso a uma corda por uma mola
O afiar as sílabas na pele
Estremecer por fora e por dentro

Onde o todo e o nada se (in)contêm.


Apelo



Sonho tanto você que a tangência de meus sentidos desgovernam - Não existe horas noite dia mês - Existe só imponderabilidades e saudade e um NUNCA adeus que não me permite esperançar, ficar ou seguir  - Creia... estas mesquinharias me estafam - D e s t i - TUA - m e !


segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Mira-me



Olha-me
Encontra-me através da luz deste
universo inescrutável de possibilidades
na névoa desta aurora velosíssima

Olhe para mim com seus dentes,
boca, mãos, braços, abraços, sorrisos
e alcança-me através da espuma dos
oceanos intermináveis que nos cercam


terça-feira, 23 de agosto de 2016

Sublimis Verbum



Sublimis Verbum

Mesmo que o grito que trago na vontade
fique adiado para um futuro esquecido;
Mesmo que a luz apodreça
nos meus olhos cegos
e o silêncio seja a certeza intransigente
da minha realidade...
Há a palavra.
Princípio majestoso
de todas as razões do mundo

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Contigo irei



Irei debruçar minha lira sobre sua tez
Para desbravar a escuderia de seu coração
Arrancar suas sandálias, desnudar seus pés
Rebentar seu colar, encontrar sua pulsação
Desofuscar seus olhos
Perfumar-lhe o corpo
Abarcar-me em seu colo ao cambiar nossos sonhos
Atordoar seus ossos, embaralhar teus sentidos
Eleger-me seu escopo
Besuntar com seiva seus tornozelos
Desembocar na hidrografia das suas pernas
Cintilar e bambear com esmero seus joelhos
Sibilar em seus ouvidos adorações ternas
Valsar na cadência de seus quadris
Contrair com doçura seu abdômen
Embrenhar-me na torrente de seus ardis
Oferendar-lhe em Cancún um totem
Arquejar suas vértebras, eriçar seu dorso
Desfolhar-te a intimidade ritmadamente
Ciclonizar sua relva, embalar seu repouso
Vislumbrar suas mãos agarradas trêmulas em mim
Esvoaçar seus cabelos com ternura infinita
Tatuar meu nome em seus lábios enquanto você me chama
Provocar-lhe lampejos, espasmos únicos e raros de contentamento
Só contigo transpor planícies, oceanos de tempo e qualquer obstáculo

E desposar-te entre as flores do Lácio


terça-feira, 7 de junho de 2016

Intangível


Frio rigoroso, arrepios austrais

Coloquei minha jugular de encontro a alguns raios de sol
Coincidiu, desceu, subiu... Alisou uma língua morna

Falando de contentamento, de coisas inventadas,
sonhos impossíveis pela boca Tua...
Depois, sumiu... É inverno ainda

Falsas promessas, palavras ao vento...

É Inverno ainda

quinta-feira, 2 de junho de 2016

O poder do engano


Nunca imaginei poder fazer parte de algo tão perfeito.
Não preciso explicar como, _ Não a você!
É difícil de expressar, pois, é como entrar em um sonho
que você teve a vida toda e depois descobrir que este
sonho é mais real do que toda a sua existência.

Sabemos então, que ser obrigado a deixar de sonhá-lo
é como desmembrar qualquer vínculo com a alegria,
a esperança, o contentamento. É como se a vida lhe
faltasse e se transformasse em algo diminuído que
vai sumindo, definhando agonizante e enfraquecido.

Você percebe então que não vive mais e apenas vegeta
aprisionado a lembrança de um sentimento que não pode
mais te alimentar ou restituir o vigor. E é assim que tua
alma desesperada intui que está tudo perdido e se
dissipa completamente exaurida pelo poder do engano...