segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Jamais e em hipótese alguma 'se invente' para o seu amor



Jamais e em hipótese alguma 'se invente' para o seu amor, isso é covardia!

Não se pode criar e manter um personagem por muito tempo e todos podem ter defeitos que até parecem engraçadinhos no começo, mas lembre-se: _Quando as águas abaixam e deixamos de 'flutuar', aparecem às pedras que provavelmente nos cortarão os pés profundamente (sabemos).

Neste passo e segundo esta crônica de Martha Medeiros que abaixo segue (As razões que o amor desconhece), nela encontramos muito que acrescentar a necessidade de sermos nós mesmos em essência ao nos depararmos cm o (a) possível parceiro (a) que nos acompanhará em inabalável cumplicidade pelos caminhos da existência - Afinal, não existe nada mais decepcionante e cruel no mundo que acordar em meio a uma encruzilhada e se ver lá sozinho (a) ludibriado (a) e tremendamente ferido (a) com seus sonhos e esperança despedaçados por ter confiado demais e depositado 'a nossa vida' em mãos de uma parceria vilã, 'ilusionada e desleal'.

- Pense nisto e no que irremediavelmente machuca e vilipendia para sempre, pois, por mais dolorida e mortificante que seja a verdade, esta jamais abalará a honra e a dignidade de uma criatura, quanto mais o direito inerente de 'confiar', sendo esta uma das preciosidades mais valiosas da alma... Afinal, nesta nossa vida tão curta e fugaz, poder verdadeiramente 'acreditar' em algo a que se entrega não tem preço e, se ultrajada, remorso merecido que pague (apague)!


Segue:

*Crônica do Amor in,  "As razões que o amor desconhece" de Martha Medeiros


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.




2 comentários:

Anônimo disse...

A verdade é libertadora, e se libertar as vezes é dolorido porém necessário...
Suas palavras é extremamente pertinente nos dias de hoje, onde grande parte dos relacionamentos estão respaldados em jogos de interesse e amores inventados para se distrair...rs

Loba Azul disse...

"Apetece dizer e não sei dizê-lo
Apetece querer e não sei almejar sequer
Apetece abraçar e não sinto do outro lado a entrega
Apetece gritar, mas a rouquidão trai o sentir
Apetece sair... partir...ir onde nunca fui
Apetece correr a memória esquecida e escrever
Apetece tanto... e tanto é um grama de matéria pó
Apetece sorrir no meio das lágrimas secas
Apetece e já nada apetece no esvair do viver
Apetece dizer e não sei dizê-lo!"

(José Luís Outono, in "Mar de Sentidos")