sábado, 21 de novembro de 2015

Vou ali ser feliz e não volto!




Ela puxava para um lado, por capricho; eu, para outro por saudade.

Ela, de braços cruzados, olhava para mim esperando que eu entendesse 

a urgência da sua partida. Sob um luar suspenso de agosto, uma disputa

desnecessária e silenciosa. 

Um ‘até mais’ sem calor e burocrático selou a minha derrota.

Na realidade, o primeiro indício de que eu a perderia na multidão foi 

revelado num milésimo de bater de cílios. Foi nessa fração de segundos

 que eu li o recado em seus olhos, distantes de tédio e fastio: 

_"Vou ali ser feliz e não volto"!

 



sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Sessão dos Amados & Perdidos


 
Você é, sem dúvida, minha.
E eu sou, sem dúvida, sua.
Não importa nada.
Não importa o que façamos,
o que queiramos ou, o que esperamos.
Não importa mais uma vez à distância,
nem essa pequena morte da ausência;
não importa já nem o tempo,
nem o esquecimento, nem seguir buscando-te,
nem o amputado encontro.
Você  se faz minha, minha sem palavras,
sem mudanças, sem metáforas;
minha já sem você mesma,
como você sem mim:
As duas em uma só, sem nós!



segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Jamais e em hipótese alguma 'se invente' para o seu amor



Jamais e em hipótese alguma 'se invente' para o seu amor, isso é covardia!

Não se pode criar e manter um personagem por muito tempo e todos podem ter defeitos que até parecem engraçadinhos no começo, mas lembre-se: _Quando as águas abaixam e deixamos de 'flutuar', aparecem às pedras que provavelmente nos cortarão os pés profundamente (sabemos).

Neste passo e segundo esta crônica de Martha Medeiros que abaixo segue (As razões que o amor desconhece), nela encontramos muito que acrescentar a necessidade de sermos nós mesmos em essência ao nos depararmos cm o (a) possível parceiro (a) que nos acompanhará em inabalável cumplicidade pelos caminhos da existência - Afinal, não existe nada mais decepcionante e cruel no mundo que acordar em meio a uma encruzilhada e se ver lá sozinho (a) ludibriado (a) e tremendamente ferido (a) com seus sonhos e esperança despedaçados por ter confiado demais e depositado 'a nossa vida' em mãos de uma parceria vilã, 'ilusionada e desleal'.

- Pense nisto e no que irremediavelmente machuca e vilipendia para sempre, pois, por mais dolorida e mortificante que seja a verdade, esta jamais abalará a honra e a dignidade de uma criatura, quanto mais o direito inerente de 'confiar', sendo esta uma das preciosidades mais valiosas da alma... Afinal, nesta nossa vida tão curta e fugaz, poder verdadeiramente 'acreditar' em algo a que se entrega não tem preço e, se ultrajada, remorso merecido que pague (apague)!


Segue:

*Crônica do Amor in,  "As razões que o amor desconhece" de Martha Medeiros


Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.




domingo, 25 de outubro de 2015

Se me ama!



Se me ama, ama-me toda,

Não por zonas de luz ou sombra.
Se me ama, ama-me negra
E branca e verde e loira
E morena

Queira-me dia
Queira-me noite
De madrugada com a janela aberta

Se me ama, não me ame pela metade:
Ama-me toda... ou não me queira!


sábado, 24 de outubro de 2015

Una Imagen Irresistible


Na verdade e por mais que nos custe admitir, sempre fomos apenas uma foto, um conceito. Uma imagem irresistível que criamos e amamos desesperadamente a partir de um conjunto de sonhos, de anseios indefinidos, de desejos intensos não cumpridos, lacunas excessivas, silêncios agudos e um calendário magoado de lagrimas a mofar nossos girassóis.

Apesar de toda aquela energia inevitável de coesão visceral que nos unia - éramos tão inadiáveis, que ao mergulhar desesperadas em nós, escancaramos tanto os olhos que enxergamos apenas o fundo... onde hoje só nos resta a sombra daquele balaio de beijos esquecido num canto, os '98 anos e mais alguns' caducados, mil e uma promessas solenes não realizadas, e este abismo e o mar, no meio de nossas mãos vazias, para sempre separadas e impotentes.

Tanto que hoje e obstante ao aniquilamento das ilusões, é vital continuar tentando desesperadamente pela pungência da dor, ingressar-nos ao esquecimento, mesmo que ainda insista e me assombre tanto como a uma ferida aberta, este estigma da saudade invencível de nós duas, que carrego comigo, agarrado a minha insônia e a se alimentar eternamente de minha essência e de todo este meu, i n f i n i t o amor... imaginado.


domingo, 18 de outubro de 2015

Insanidade



Há em ti uma nuvem
que rasga o céu em tempestade,
e o tempo que sacode
o ventre de um poema vazio.

Há em ti uma parte
que se foi sem sobras,
no silêncio e solidão
do escuro das cores.

Há em ti o delírio
e a demência que flutua
numa sinfonia de liberdade
onde se devaneiam os impossíveis.

Há em ti…
…um pouco de alucinação
e a loucura que procurei

ensandecidamente


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Exílio



Lateja-me a essência toda
este exílio da ilusão perdida
de ser carne da sua carne para
ser alma da tua alma em um só

corpo dentro e sempre aquém a
integrar-me e desintegrar-me em ti
sonhando ser uma em ambas...
enquanto ambas, ninguém